O grupo Bueno Netto fez uma reviravolta interna nos últimos dois anos. A companhia familiar chamou um diretor sem parentesco para assumir o processo de profissionalização, João Antônio Mattei. Primeiro como consultor, por dois anos, aplicando estratégias testadas anteriormente em empresas como Cyrela, Adolpho Lindenberg, Alphaville e Invest Tur, e agora no posto de diretor geral criado especialmente para o executivo. Adalberto Bueno Netto continua na presidência da empresa, assim como os filhos Guilherme e Carlos Alberto integram o corpo de 20 executivos - mas com remuneração atrelada a resultados.
Constituído por incorporadora, construtora e imobiliária, a Bueno Netto é hoje auditada pela Terco Grant Thorton e em março inicia o programa de stock option. Com o estímulo interno e a atração de sócios investidores em seus projetos, o grupo planeja saltar de um faturamento de R$ 20 milhões em 2007 para R$ 100 milhões este ano.
A estratégia é comandar o projeto e a obra, e atrair investidores com a criação de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) constituídas para cada empreendimento. A incorporadora toca obras com sócios como Gafisa, Tecnisa, Agra e Klabin Segall, e também seduz investidores - como sócios ou compradores - do porte dos fundos MaxCap e o inglês Autonomy.
Conhecida por emplacar projetos de luxo em bairros como os paulistanos Vila Olímpia e Itaim Bibi, a empresa está diversificando o portfólio para rechear o faturamento. "Hoje fazemos lançamentos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, em todos os segmentos", afirma Mattei.
O estado de São Paulo responde por 80% do volume de negócios, sendo metade na capital e restante em cidades do interior como Jundiaí, Campinas, Sorocaba, Guarujá e São José dos Campos. É nesse mercado que a empresa iniciou atuação na baixa renda, com lançamento
No bairro Água Branca, o empreendimento terá 27 torres residenciais numa área de 63 mil m. "O segmento de baixa renda também possibilita boas margens de lucro, entre 12% e 15%, com o ganho de escala. No alto padrão, a margem chega a 18%", compara Guilherme Bueno Netto, diretor de Novos Negócios.
A diferença entre lançamento de luxo e popular está no risco e na velocidade de venda. "No econômico, o ideal é que a construção comece com todas as unidades vendidas. Em projetos de luxo, é comum ainda vender apartamentos com a obra quase finalizada", diz.
Na Bahia, a empresa entra na tendência de condomínios residenciais com serviços hoteleiros e flats. Os focos de atuação são Salvador e Lauro de Freitas, que recebe dois projetos da Bueno Netto com hotelaria. "Um está atrelado a condomínio residencial e o outro a um centro comercial", explica.
Na capital bai
Enquanto isso, o mega empreendimento com valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,5 bilhão
Em
"Se acharmos que podemos lucrar mais sobre o terreno do que com lançamento, vendemos a área. Não temos que cumprir essas metas como as concorrentes", diz o diretor de Novos Negócios.
Por outro lado, confessam, não ter se capitalizado com entrada de sócio ou oferta pública de ações (IPO) faz com que percam velocidade na compra de terrenos, na disputa com outros incorporadores. Hoje o grupo é 90% da família Bueno Netto e 10% do diretor operacional Luis Carlos Martins.
"Já avaliamos fusões, IPO e temos sido assediados por bancos. Mas até agora não encontramos um parceiro que garantiria a manutenção do nosso jeito de atuar", diz Adalberto Bueno Netto.
Publicado em: 29/2/2008
Fonte: Gazeta Mercantil